
Tarcísio de Freitas analisa prisão de Maduro e aponta expectativa de reconstrução democrática na Venezuela
Da Redação da São Paulo Tv com fonte o Jornal o Estado de São Paulo
Em entrevista ao Estadão, governador de São Paulo destaca fim de um ciclo autoritário, desafios institucionais e perspectivas para um novo momento no país vizinho
Em entrevista concedida ao O Estado de S. Paulo, o governador Tarcísio de Freitas apresentou sua avaliação sobre a prisão de Nicolás Maduro, ocorrida no contexto de uma operação liderada pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. Para o governador, o episódio pode marcar o encerramento de um longo ciclo de deterioração política, econômica e social na Venezuela.

Segundo Tarcísio, a expectativa é que a deposição de Maduro represente um ponto de inflexão histórico. Ele relembrou que o país já figurou entre as economias mais prósperas da América Latina e destacou o contraste com a realidade atual, marcada por perda de liberdades individuais, fragilização do sistema eleitoral, autoritarismo e um êxodo populacional de grandes proporções. “A gente espera que se encerre um ciclo ruim para a história da Venezuela e que o país possa se reencontrar com a esperança”, afirmou.
Esperança de um novo ciclo institucional
Na avaliação do governador paulista, o principal desafio do período que se abre é o restabelecimento da institucionalidade democrática. Ele ressaltou que, ao longo dos anos, houve uma deterioração profunda das instituições venezuelanas, incluindo o Judiciário e as Forças Armadas, o que exigirá um processo de transição cuidadoso e bem conduzido.
Para Tarcísio, a prioridade deve ser a reconstrução do poder político legítimo, com a realização de eleições livres, transparentes e acompanhadas por observadores internacionais. “É importante um resgate da institucionalidade, com eleições justas, limpas e respeito às instituições”, declarou.
Regime autoritário e impactos regionais
Durante a entrevista, o governador também abordou os efeitos do regime venezuelano para além de suas fronteiras. Segundo ele, trata-se de um governo que, ao longo do tempo, se sustentou em práticas que impuseram severas restrições à população e comprometeram o desenvolvimento do país. Tarcísio citou ainda a associação do regime com atividades ilícitas como um fator de instabilidade regional, ressaltando que a situação venezuelana sempre teve reflexos diretos nos países vizinhos.
Nesse contexto, ele avaliou que a mudança de cenário pode ser positiva não apenas para o povo venezuelano, mas para toda a América do Sul, ao abrir caminho para maior estabilidade política e cooperação regional.
Reconstrução e perspectivas econômicas
Outro ponto destacado por Tarcísio de Freitas foi o impacto econômico da queda do regime. Segundo ele, a ditadura representou uma “chaga” para o desenvolvimento da Venezuela, paralisando investimentos e levando ao sucateamento da infraestrutura do país. Com a possibilidade de um novo ciclo político, a reconstrução econômica deve entrar na agenda internacional.
O governador afirmou que a Venezuela possui grande potencial e tende a atrair recursos voltados à retomada do crescimento, à modernização da infraestrutura e à reorganização de setores estratégicos, como energia e comércio. Esse processo, segundo ele, pode abrir oportunidades de cooperação com países da região.
Uma leitura focada no futuro
Ao longo da entrevista ao Estadão, Tarcísio de Freitas adotou um tom voltado para o futuro da Venezuela e para a necessidade de um processo de transição responsável. Sua análise enfatiza a superação de um período de autoritarismo, a reconstrução das instituições democráticas e a possibilidade de um novo ciclo de prosperidade — não apenas para a Venezuela, mas para a América do Sul como um todo.
