
Sóstenes alega que dinheiro encontrado pela PF tem origem na venda de uma imóvel
Da redação da São Paulo Tv Bene Correa com informações do UOL
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (19) que os R$ 430 mil encontrados em sua casa, durante operação realizada pela Polícia Federal, são oriundos da venda de um imóvel.

No entanto, o líder do PL na Câmara, não explicou por que recebeu dinheiro vivo pela venda e informou que seus advogados e o contador vão apresentar todos os documentos e informações.
Dinheiro no guarda-roupa
Sóstenes disse que depositaria o dinheiro, mas não teve tempo. “Guardei no meu guarda-roupa, dentro do meu flat”, justificou. “Ninguém coloca dinheiro ilícito dentro de casa, gente.”
O parlamentar concordou que é estranho guardar quase meio milhão em casa. Mas alegou que foi um “lapso” causado pela correria do trabalho.
Segundo ele, a venda foi comunicada às autoridades e que o imóvel estava declarado em suas informações no Imposto de Renda.
Imóvel não consta na declaração do TSE
O imóvel não está relacionado na declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lá apenas diz que ele tem R$ 4.926,76 em saldo em duas contas correntes.
O deputado não soube dizer as datas de compra e venda do imóvel. Sóstenes declarou que a aquisição ocorreu cerca de dois anos atrás e depois das eleições de 2022.
O parlamentar disse que vendeu o imóvel semana passada. Questionado se mostraria a documentação do negócio, Sóstenes falou que foi orientado a entregar primeiro à Justiça.
O líder do PL se recusou a dar detalhes do imóvel “para não expor outras pessoas”.
O parlamentar não revelou a cidade que fica, o tamanho e nem quem foi o comprador. Ele se resumiu a afirmar que é uma residência e fica em Minas Gerais.
Assessores movimentaram milhões
O deputado também se defendeu das movimentações milionárias de servidores comissionados. Vários deles têm transações acima do milhão de reais, com um deles chegando a R$ 11 milhões.
O funcionário comissionado que movimentou este valor é motorista de Sóstenes. O líder do PL disse que o servidor comissionado tem uma distribuidora de bebidas e, por este motivo, tem uma soma milionária de movimentação financeira.
O deputado tentou limitar a operação a um único caso. Ele afirmou que seu motorista aluga o carro usado pelo parlamentar. A PF suspeita de uso de locadora para lavar dinheiro desviado da verba de gabinete.
O líder do PL não explicou as movimentações milionárias de quatro pessoas citadas pelo ministro do STF Flávio Dino na decisão que autorizou a operação.
Contato de Motta
Sóstenes falou que recebeu ligação do presidente da Câmara. Hugo Motta (Republicanos-PB), que entrou em contato para se solidarizar.
Ele afirmou que mais parlamentares também entraram em contato. Na entrevista, ele estava ao lado de Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Bia Kicis (PL-DF).
O parlamentar mencionou perseguição, mas não centrou a defesa neste ponto. O deputado também falou em cortina de fumaça para ofuscar a operação da PF sobre o roubo do INSS.
Investigação
A PF achou R$ 430 mil em um endereço ligado a Sóstenes. A investigação encontrou indícios de que o líder do PL teria desviado dinheiro da verba de seu gabinete usando funcionários.
A suspeita é que uma locadora foi usada para lavar o dinheiro. A Haure Locação de Veículos seria uma empresa de fachada. A decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), cita a frota pequena.
Também foi apontado que servidores movimentaram valores milionários. Eles trabalharam para Sóstenes e Carlos Jordy e fizeram transações incompatíveis com sua renda. Somente um deles alcançou a casa dos R$ 11 milhões.
O STF determinou quebra sigilo bancário entre 2018 e 2024. Ainda houve autorização de quebra do sigilo de mensagens e conversas eletrônicas.
