
INTERLAGOS VIRA PALCO DE DECISÕES, EMOÇÃO E GRANDES HISTÓRIAS: UM FINAL DE SEMANA QUE CONSAGROU O AUTOMOBILISMO BRASILEIRO
São Paulo Tv Broadcasting jornalista Walter Westphal, colunista de automobilismo da emissora fotos e reportagem repórter Regina Calderoni
Interlagos tem uma particularidade curiosa: mesmo depois de tantas décadas, continua surpreendendo quem frequenta suas curvas com certa regularidade. Há algo naquele asfalto — uma soma de memória, mística e potência — que faz o Autódromo José Carlos Pace funcionar como laboratório e palco, arena e altar. O último final de semana, que reuniu as etapas decisivas de Copa Truck, NASCAR Brasil, HB20 e Old Stock, foi a prova de que o automobilismo nacional vive um período de notável vitalidade.

A São Paulo TV Broadcasting acompanhou tudo de perto. Walter Westphal, colunista de automobilismo da emissora, comandou a cobertura de campo, caminhando pelos boxes, ouvindo engenheiros, percebendo nuances que escapam às câmeras e registrando a respiração nervosa de pilotos e equipes às vésperas de decisões que fechariam a temporada. A seu lado, a repórter Regina Calderoni ajudou a ampliar esse mosaico de vozes, captando depoimentos de alguns dos principais nomes do fim de semana: Beto Monteiro, Fabinho Fogaça, Débora Rodrigues, Cacá Bueno, Maragno, Karim Machado e Michaela Peixoto. Cada conversa adicionou textura à narrativa — porque automobilismo, afinal, nunca é só sobre máquinas, mas sobre pessoas que convivem com seus próprios limites.

As disputas começaram com a exuberância da Copa Truck, categoria que se tornou um espetáculo à parte no Brasil. Caminhões de altíssima potência literalmente redesenham a percepção de velocidade. Felipe Giaffone, com a serenidade técnica que o caracteriza, consolidou seu título na classe Pro. Não basta apenas acertar o traçado em um caminhão de toneladas; é preciso dominar temperatura de freio, desgaste acentuado e uma aerodinâmica que castiga erros milimétricos. Giaffone fez isso com precisão quase metronômica.

Na classe Elite, Pedro Perdoncini mostrou que constância ainda é a maior virtude de um campeão. Sua temporada foi marcada por regularidade, leitura inteligente de corrida e coragem para atacar quando o cenário pedia — e recuar quando a matemática do campeonato exigia prudência. Interlagos foi o ápice dessa trajetória.
A sequência de emoções avançou para a NASCAR Brasil, categoria que ganhou profundidade técnica e crescente interesse do público nos últimos anos. A diversidade de estilos de pilotagem ficou evidente. Rubens Barrichello, que sempre foi um embaixador espontâneo do automobilismo brasileiro, reafirmou essa condição ao conquistar o título da Over/All. Há algo de admirável em sua habilidade de transitar entre categorias tão distintas mantendo competitividade. A vitória de Barrichello não foi apenas um troféu: foi um capítulo a mais de uma carreira que continua ensinando.
Na Overall Challenge, Jorge Martelli fez um campeonato sólido e estratégico, mostrando evolução constante até garantir sua conquista em Interlagos.

Já a Special Edition entregou duas histórias paralelas e igualmente ricas. Gabriel Casagrande, campeão principal, mostrou maturidade e precisão, num campeonato em que cada detalhe — escolha de pneus, timing de parada, controle de desgaste — influenciou resultados.
Enquanto isso, Alfredinho Ibiapina, campeão da Challenge, simbolizou a renovação permanente do automobilismo brasileiro. Jovem, veloz, disciplinado e determinado, ele representa a geração que cresce com simuladores, dados telemétricos e metodologias que tornam os pilotos mais completos desde cedo.
Esse cruzamento entre veteranos consagrados e talentos emergentes formou um dos quadros mais bonitos do final de semana. Interlagos serviu como ponto de encontro de gerações que se respeitam e aprendem umas com as outras — porque, no fim das contas, esse é um esporte em que experiência e ousadia vivem lado a lado na mesma freada.

E, claro, os bastidores também guardam preciosidades. Equipes ajustando carros com a rapidez de uma coreografia silenciosa. Mecânicos lutando contra minutos. Chefes de equipe revisando gráficos com a concentração de xadrezistas. Pilotos que, antes de colocar o capacete, carregam consigo os rituais que os conectam ao foco absoluto. Todos esses detalhes foram observados e registrados na cobertura da São Paulo TV Broadcasting. É nessas brechas de humanidade que o automobilismo mostra sua verdadeira grandeza.
O saldo final de Interlagos não foi apenas de campeões, mas de histórias que ficaram no ar como ecos de motores que tardam a se calar. Um final de semana que reafirmou a vocação do Brasil para formar pilotos, para construir narrativas esportivas e para transformar um autódromo inteiro em cenário vivo de emoção.
Enquanto o paddock se desmontava ao cair da tarde, a sensação era a mesma que muitos já experimentaram ali: o ano acaba, mas o automobilismo nunca cessa. Ele apenas muda de forma, renasce, se reinventa — sempre pronto para a próxima bandeira verde.
Coluna de Automobilismo
Walter Westphal – São Paulo TV Broadcasting






