
Estudo revela como os moais da Ilha de Páscoa “andaram” — e reforça fascínio por um dos maiores enigmas da arqueologia
São Paulo TV | Ciência & História
Com base na reportagem do Estadão (01/12/2025)
Entre as grandes histórias que atravessam milênios, poucas são tão magnetizantes quanto o mistério dos moais da Ilha de Páscoa, aqueles gigantes de pedra que parecem carregar a memória dos ancestrais de um povo inteiro. A São Paulo TV destaca hoje uma reportagem de altíssimo nível publicada pelo Estadão, que mergulha em novas descobertas científicas sobre como essas estátuas colossais teriam se deslocado por até 18 quilômetros — sem rodas, sem animais de tração e com tecnologia pré-industrial.

A matéria conduzida pelo The New York Times e reproduzida pelo Estadão apresenta um panorama completo das pesquisas mais recentes e destrincha, com rara clareza, a questão que intriga arqueólogos, engenheiros e curiosos há mais de um século: como mover esculturas de até 86 toneladas em terreno acidentado no meio do Pacífico Sul?
Um novo capítulo para um enigma antigo
Segundo o estudo publicado no Journal of Archeological Science, os arqueólogos Carl Lipo (Universidade de Binghamton) e Terry Hunt (Universidade do Arizona) reforçam a hipótese de que muitas das estátuas foram transportadas na vertical, inclinadas levemente e movimentadas em zigue-zague, como se realmente “andassem”.
A reportagem do Estadão apresenta com riqueza de detalhes o experimento realizado 14 anos atrás, quando 18 pesquisadores conseguiram deslocar uma réplica de moai — com mais de 4 toneladas — por cem metros em apenas 40 minutos. Não havia truque: só cordas, força humana, precisão e um jogo de peso que fazia a estátua balançar para frente.
Esse “andar”, que já fazia parte da tradição oral rapanui, ganha agora respaldo técnico graças a modelos em 3D, análises de centro de massa e avaliações geométricas que indicam que certos moais tinham bases especialmente desenhadas para facilitar esse tipo de deslocamento.
As estradas que surgiam do movimento
Um ponto fascinante destacado pela reportagem — e que beira a poesia geológica — é a ideia de que as estradas da Ilha de Páscoa não precediam as estátuas: elas surgiam por causa delas.
Cada movimento desgastava o solo e moldava o caminho. Cada transporte deixava marcas permanentes. Cada trilha era quase uma assinatura física de um ritual coletivo.
O Estadão também apresenta críticas relevantes de especialistas, mostrando que a ciência é viva e sempre em disputa — exatamente o que torna essas descobertas tão instigantes.
Por que destacamos essa matéria?
Porque ela representa o que o jornalismo científico deve ser:
claro, rigoroso, encantador e comprometido com a investigação do mundo e de seus mistérios.
A reportagem do Estadão oferece exatamente isso. É daquelas leituras que fazem o leitor viajar para além do Pacífico Sul, entrando no território onde arqueologia, tradição e imaginação se encontram.
