
Senado dos EUA aprova projeto que determina divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein; texto segue para assinatura de Donald Trump
São Paulo TV Broadcasting – Internacional Samys Montanaro Fotos Redes Sociais
Por Redação | 18 de novembro de 2025
A política norte-americana viveu nesta terça-feira um raro momento de unanimidade. O Senado dos Estados Unidos aprovou, sem debates ou emendas, o projeto que obriga o Departamento de Justiça a tornar públicos os arquivos relativos ao caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. Horas antes, a proposta já havia passado na Câmara dos Representantes por esmagadora maioria — 427 votos a 1. O texto agora segue para o gabinete do presidente Donald Trump, que indicou estar preparado para assiná-lo tão logo chegue à sua mesa.

A aprovação acelerada no Senado utilizou um procedimento especial que permite a adoção automática de projetos consensuais. A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein exige que documentos não confidenciais da investigação — incluindo trocas de e-mails, relatórios de interrogatórios, registros carcerários e informes internos — sejam divulgados ao público.
A medida reacende um dos casos mais controversos e sensíveis da política americana recente. Epstein, magnata com conexões globais, foi encontrado morto em sua cela em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por abuso sexual e tráfico de menores. Sua morte, oficialmente considerada suicídio, alimentou suspeitas, teorias e pressões por transparência que se espalharam por todo o espectro político dos EUA.
A nova lei ganhou impulso com uma movimentação rara no Congresso. Democratas, acompanhados por um pequeno grupo de republicanos dissidentes, conseguiram destravar a votação após meses de paralisia. O momento decisivo ocorreu com a posse da deputada democrata Adelita Grijalva, que forneceu o voto essencial para a petição que levou o projeto ao plenário. Em paralelo, e-mails de Epstein divulgados na semana anterior, por ordem judicial, ampliaram a pressão política. Nos mais de 20 mil documentos, Trump é mencionado mais de 1,6 mil vezes. Em algumas mensagens, Epstein afirma que o então empresário e futuro presidente sabia de seus crimes, alegações negadas categoricamente por Trump, que trata o assunto como “uma farsa”.
Mesmo após resistir por meses à iniciativa, Trump mudou de postura. Na segunda-feira, declarou que assinaria a lei caso fosse aprovada pelas duas casas, ao mesmo tempo em que tentou associar Epstein a nomes ligados ao Partido Democrata. Internamente, aliados do presidente temiam que a liberação dos documentos pudesse gerar desgaste político, sobretudo a um ano de um novo ciclo eleitoral.
Ainda assim, parte considerável da base republicana passou a apoiar a divulgação, pressionada também por sobreviventes dos abusos. Um grupo de vítimas esteve no Capitólio nesta terça para reforçar a cobrança pela transparência e participou de reuniões com parlamentares que defendem a medida. O simbolismo de sua presença ampliou a dimensão moral e política do debate.

A trajetória do projeto no Congresso foi marcada por disputas internas. O presidente da Câmara, Mike Johnson, manteve o plenário praticamente paralisado por dois meses devido à crise orçamentária e resistia à posse de Grijalva, o que bloqueava a votação. Com a retomada das atividades, o apoio tornou-se inevitável, levando Johnson e Trump a cederem à pressão pública e legislativa.
Para analistas políticos americanos, a aprovação expõe fissuras dentro do Partido Republicano, ao mesmo tempo em que consolida a demanda por transparência num caso que envolve personalidades de múltiplas esferas — da política ao entretenimento, passando por figuras como Donald Trump, Bill Clinton e o príncipe Andrew. Ao mesmo tempo, reforça o interesse da sociedade em compreender a dimensão real da rede criminosa construída por Epstein durante décadas.

A pergunta que permanece é se o Departamento de Justiça divulgará de fato todos os arquivos permitidos pela nova legislação. Mesmo entre os que votaram a favor, há parlamentares republicanos que tratam a iniciativa como uma manobra política, enquanto democratas insistem que a transparência é indispensável para a reconstrução da confiança pública.
A decisão final, agora, está nas mãos de Trump. Se sancionada, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein abrirá um dos conjuntos de documentos mais aguardados da história recente, com potencial para repercutir no ambiente político, jurídico e social dos Estados Unidos.
