
Prefeito Ricardo Nunes apresenta projeto de obras e restauração para celebrar os 200 anos do Jardim da Luz
Da redação da São Paulo Tv com informações da Secom da Prefeitura SP fotos Rede de Nunes Instagram
O Jardim da Luz está completando 200 anos e para celebrar a data, o tradicional parque paulistano será presenteado com obras de restauro e requalificação.
A Prefeitura de São Paulo anunciou a realização de melhorias na acessibilidade, de novas entradas, renovação do parquinho e cuidados especiais com as áreas tombadas, com o intuito de preservar a história e aprimorar a experiência de quem vive a cidade.

“Este parque faz aniversário e ganha um grande presente: vamos investir R$ 20 milhões aqui e deixá-lo ainda melhor, com revitalização e restauro, tornando este espaço muito mais bonito”, disse o prefeito Ricardo Nunes.
O secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, lembrou que a área carrega uma grande riqueza histórica.
“Este é o sexto parque mais visitado da cidade, um espaço que merecia esse carinho e esse respeito. É na gestão do prefeito Ricardo Nunes, celebrando os 200 anos do parque, que teremos um investimento à altura no parque mais antigo da cidade”, afirmou.
200 anos de história
Inaugurado em 1825, quando a cidade mal chegava a 20 mil habitantes, o espaço foi o primeiro dedicado ao lazer público de São Paulo.

Hoje, já consolidado como um dos principais cartões-postais do centro, recebe cerca de 2 milhões de visitantes por ano e segue entre os mais movimentados da capital: em 2025, é o sexto parque mais frequentado, com 1,5 milhão de visitas registradas até outubro.
A geografia do parque ajuda a explicar o encantamento persistente.
São 76.885 metros quadrados, o equivalente a 11 campos de futebol,.de alamedas antigas, sombras largas, espelhos d’água, esculturas preservadas e um raro silêncio urbano entre o trem, o museu e o fluxo intenso do Bom Retiro.
Entre as árvores, destaca-se a imponente Agathis Robusta, mais velha que o próprio parque, com seus cerca de 40 metros de altura e mais de dois séculos de vida.

Uma paisagem que conta a história de São Paulo
Poucos lugares concentram tantos marcos do passado paulistano.
O Jardim da Luz já foi horto científico, jardim público, laboratório de espécies exóticas, cenário da primeira exibição de luz elétrica da cidade, em 1883, e palco da visita do imperador Dom Pedro II, em 1846.
Também abrigou o primeiro observatório meteorológico de São Paulo, a curiosa torre de 20 metros que os moradores apelidaram de “Canudo do Dr. João Teodoro”.
O século XX trouxe momentos de decadência, consequência da crise do café, de sucessivas reformas urbanas e da falta de manutenção, mas também de renascimento.

Restauração no final do século 20
A grande restauração iniciada em 1999 devolveu vitalidade a estruturas como a gruta, os coretos, o sistema hidráulico e os clássicos espelhos d’água.
Invadindo o século 21, nos anos 2000 e 2010, o parque voltou ao cotidiano dos paulistanos, impulsionado pela centralidade da Pinacoteca e por políticas de zeladoria e segurança.
Hoje, a Prefeitura mantém investimento contínuo no espaço. O valor anual destinado à manutenção, pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, passou de R$ 1,24 milhão em 2021 para R$ 1,58 milhão em 2025.

Os recursos são fundamentais para poda, limpeza, recuperação de canteiros, conservação de equipamentos e vigilância. O parque também recebe exposições, apresentações culturais e ações do terceiro setor ao longo do ano.
Natureza rara em plena área central
A flora do Jardim da Luz reúne 192 espécies de árvores vasculares, entre elas o andá-açu, o pau-brasil, o pinheiro-do-paraná e o palmito-jussara, todas ameaçadas de extinção.
Nos caminhos arborizados, convivem palmeiras, gimnospermas, guatambus, alecrins-de-campinas e o tradicional roseiral, que há décadas colore a passarela em direção ao lago.
A fauna também surpreende. Em 2021, foram registradas 98 espécies, sendo 80 de aves: do martim-pescador-grande ao socó-dorminhoco, passando por carcarás, irerês, papagaios e diversos beija-flores.
Por estar numa área densamente urbanizada, o parque funciona como uma verdadeira “ilha verde”, atraindo aves florestais que cruzam a metrópole em busca de descanso, como o tucano-de-bico-verde.

Nos lagos e espelhos d’água, carpas, tilápias, acarás e cágados-pescoço-de-cobra completam o ambiente que mistura natureza tropical, memória europeia e cotidiano paulistano.
Arquitetura, arte e permanências
Entre os símbolos do bicentenário estão a tradicional Casa de Chá, os coretos, a Casa do Administrador, a gruta e o conjunto de esculturas, formado por mais de 30 peças, incluindo a Herma de Garibaldi, inaugurada em 1910 pelo escultor Emilio Gallori, marco da presença italiana na cidade.
O parque também compartilha limites com a Pinacoteca do Estado, um dos mais importantes museus de arte do país, e preserva o traçado que se adaptou, ao longo dos anos, à chegada da Estação da Luz e às instituições que transformaram o entorno cultural da região.
