
Ricardo Nunes transforma São Paulo em vitrine global da mobilidade limpa: cidade supera mil ônibus elétricos e aposta em superbaterias para vencer barreira da recarga
Da Redação Especial – São Paulo TV Broadcasting
Publicado em 08 de novembro de 2025
São Paulo cruzou uma fronteira histórica.
A capital paulista ultrapassou a marca de 1.000 ônibus elétricos em operação no transporte público, consolidando-se como a maior frota do Brasil e da América Latina e entrando no mapa mundial da mobilidade sustentável. A meta agora é mais ambiciosa: chegar a 2.200 veículos elétricos ou de baixa emissão até 2028.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, repete uma frase que já virou lema interno: “Mobilidade limpa não pode esperar.”
Cada ônibus elétrico evita 87 toneladas de CO₂ por ano, o equivalente ao plantio de 6,4 mil árvores, e reduz o consumo anual de cerca de 35 mil litros de diesel. Além disso, elimina o ruído típico dos motores a combustão — um ônibus a diesel pode ultrapassar 80 decibéis, enquanto o elétrico opera entre 60 e 70 decibéis, dentro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Não é apenas modernização. É saúde pública.
Ruas mais silenciosas, ar mais limpo
A redução do ruído é perceptível para quem anda a pé, de bicicleta ou trabalha nos corredores de ônibus. A poluição sonora, frequentemente negligenciada, impacta o sono, o estresse e até doenças cardiovasculares. “É sustentabilidade que se vê e se sente”, afirmou Nunes durante a entrega do milésimo veículo, na Praça Charles Muller.
O obstáculo: falta de energia da Enel travou a eletrificação
A expansão da frota revelou um problema invisível e inesperado: a Enel não entregou energia suficiente para as garagens, impedindo a instalação de carregadores. Segundo Nunes: “Tínhamos ônibus prontos, frota comprada, mas não tínhamos energia para carregar.”
Dados da própria gestão mostram que 90% das garagens ainda não tinham energia disponível para recarga. A concessionária contestou e afirmou ter capacidade contratada. Mas o fato é que a frota elétrica estava crescendo mais rápido do que as liberações da Enel. Em vez de paralisar o projeto, o governo municipal partiu para a solução.
A resposta rápida da Prefeitura: superbaterias e energia alternativa
Para não depender mais exclusivamente da concessionária, Ricardo Nunes e sua equipe ativaram o plano B — e ele mudou tudo.
São Paulo passou a instalar BESS (Battery Energy Storage Systems), grandes superbaterias capazes de armazenar energia fora do horário de pico e carregar até 29 ônibus simultaneamente sem depender da rede da Enel. Na prática, é como instalar um powerbank gigante dentro das garagens de ônibus.
“Se a energia não chega, a gente cria outra forma de carregar. Mobilidade limpa não espera”, disse o prefeito.
O detalhe decisivo: não há custos para os cofres públicos. O investimento é bancado por parceiros privados, dentro do modelo de concessão.
Além disso, a Prefeitura lançou o programa BioSP, que incentiva a compra de ônibus movidos a biometano — combustível limpo gerado através de resíduos orgânicos. São Paulo passa, portanto, a combinar elétricos e biometano, criando um sistema de baixa emissão totalmente escalável.
Produção nacional e investimentos globais
O próximo passo é estratégico: fabricar no Brasil.
Hoje, apenas um dos nove fabricantes produz todos os componentes em território nacional. Nunes defende que o país avance na produção de baterias para reduzir custos — um ônibus elétrico básico custa cerca de R$ 2,6 milhões, enquanto o modelo a diesel sai por R$ 527 mil.
Para enfrentar o desafio do financiamento, o governo federal, em parceria com o BTG Pactual e instituições internacionais, anunciou a criação de um fundo de € 450 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões) para eletrificação da frota no Brasil. São Paulo já está na frente.
Reconhecimento internacional
A estratégia da capital paulista venceu o prêmio Local Leaders Awards (Líderes Locais pelo Clima), concedido pela Bloomberg Philanthropies, na prévia da COP30.
Não é só uma mudança tecnológica. É uma mudança de liderança.
São Paulo agora é referência mundial
A cidade que era símbolo de trânsito e poluição virou símbolo de solução.
Lidera a eletrificação de ônibus na América Latina. Resolveu a falta de energia com inovação e superbaterias. Implementa energia limpa sem aumentar gasto público. Reduz CO₂, ruído e custo de operação.
“São Paulo não espera o futuro. São Paulo acelera o futuro.”
A eletricidade silenciosa dos corredores de ônibus agora anuncia uma transformação maior: a mobilidade do século XXI começou por aqui.
Da Redação Especial – Diretoria de Jornalismo da São Paulo TV Broadcasting
