
**Minha empresa foi autuada pelo fisco. E agora? Alvo no Tributo: a análise do Dr. Alberto Oliveira
Por que um tributarista com visão contábil muda o jogo.**
Por Dr. Alberto Oliveira
Advogado Tributarista – AOL Advogados Associados
O sistema tributário brasileiro é uma das estruturas mais complexas do mundo — não apenas pela quantidade de tributos, mas pela instabilidade interpretativa e pelo uso agressivo de tecnologia fiscalizatória. Hoje, o fisco não precisa mais bater na porta da empresa. Ele já está dentro dela, cruzando dados em tempo real por meio de SPED, NF-e, e-Social, ECF, DCTF, PGDAS e dezenas de outras obrigações acessórias.
Em um ambiente onde cada nota fiscal pode ser questionada, o risco de autuação não está relacionado apenas a erros, mas à divergência de interpretação entre empresa e Fazenda. Ou seja: não é preciso fraudar para ser autuado – basta interpretar diferente.
O resultado é conhecido: empresas sérias, com contabilidade em dia, recebem autos de infração milionários, multas de até 150%, glosa de créditos, acusações de sonegação e ameaça de bloqueio de bens.
Mas aqui está a verdade que muitos empresários não sabem:
Autuação não é derrota. É o início do jogo.
A legislação brasileira garante ampla defesa. E os números mostram:
✅ Mais de 40% das autuações federais são anuladas ou reduzidas.
✅ No CARF, em alguns temas, a taxa de vitória do contribuinte passa de 60%.
✅ O STF e o STJ derrubam autuações ilegais ou abusivas com frequência.
✅ Multas acima de 100% já foram consideradas inconstitucionais (RE 833.106).
Ou seja: o fisco erra. E o contribuinte pode vencer.
Onde está o verdadeiro problema?
O maior erro do empresário é acreditar que contador e advogado atuam separados.
Na prática, a autuação nasce na contabilidade, mas morre no direito.
Sem entendimento contábil, o advogado não entende a origem do fato gerador.
Sem visão jurídica, o contador não enxerga a tese que derruba a cobrança.
O novo tributarista precisa ser híbrido: jurídico + contábil + estratégico.
E é exatamente esse o propósito desta coluna: revelar, explicar e orientar com base na lei, na jurisprudência e na realidade empresarial.
Porque no Brasil, ignorância tributária custa caro.
Conhecimento tributário protege, economiza e fortalece.

Segundo dados da própria Receita Federal, mais de 40% das autuações são revertidas parcial ou totalmente na esfera administrativa. No CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), há casos em que até 60% das autuações são derrubadas em determinados temas, especialmente quando envolvem interpretação de lei. Isso mostra que o fisco também erra — e muitas vezes autua de forma abusiva.
Onde nascem as autuações?
As fiscalizações atuais não dependem mais de visitas presenciais. Hoje, tudo é digital. A Receita cruza dados do SPED Fiscal, SPED Contribuições, ECD, ECF, NF-e, e-Social, DIRF, DEC, PGDAS, entre outros. Pequenas inconsistências geram “alertas automáticos” que se transformam em autos de infração. As causas mais comuns são:
- Classificação incorreta de despesas ou créditos;
- Divergência entre contabilidade societária e fiscal;
- Interpretação diferente sobre benefícios fiscais;
- Erros em obrigações acessórias;
- Falhas na escrituração eletrônica;
- “Mudança de entendimento” do próprio fisco.
O problema é que nem sempre a contabilidade traduz com precisão o conceito jurídico do tributo. E é exatamente aí que entra o tributarista com visão contábil.
Por que o tributarista precisa entender contabilidade?
Porque a autuação nasce na contabilidade, mas morre no direito.

O contador conhece os lançamentos, mas nem sempre interpreta a lei. O advogado conhece a lei, mas nem sempre entende a origem contábil do fato gerador. O profissional que domina os dois mundos é o que promove uma defesa eficiente.
Nos julgamentos mais importantes do STF e do STJ, a discussão sempre envolve o conceito contábil vs. o conceito jurídico de receita, faturamento, lucro, insumo, despesa.
Exemplo clássico:
STF – Tema 69 da Repercussão Geral – RE 574.706
A Corte definiu que “o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois não representa faturamento ou receita da empresa.”
Ou seja: conceito contábil + conceito jurídico = vitória do contribuinte.
Outro exemplo:
STF – RE 603.624 (substituição tributária do ICMS)
O Supremo reconheceu que, quando a base de cálculo presumida for maior do que a real, o contribuinte tem direito à restituição. O Estado não pode enriquecer injustamente.
E mais:
STJ – REsp 1.221.170/PR (Tema 779)
Definiu o que é insumo para PIS/COFINS com base na essencialidade e relevância, rejeitando critérios puramente contábeis ou restritivos da Receita.
Perceba: sem interpretação jurídica sobre dados contábeis, a empresa perde dinheiro e direitos.
Autuação não é derrota. É o início do jogo.
A legislação brasileira garante ampla defesa administrativa e judicial. E os números são claros:
✅ Mais de 40% das autuações federais são total ou parcialmente anuladas.
✅ No CARF, em alguns temas, a taxa de vitória do contribuinte passa de 60%.
✅ Decisões do STF e do STJ têm derrubado autuações baseadas em teses ilegais ou abusivas.
✅ Multas acima de 100% já foram declaradas inconstitucionais por confisco (RE 833.106).
Ou seja: o fisco erra. Muito. E o contribuinte pode vencer.
Onde está o problema?
O maior equívoco do empresário é acreditar que contador e advogado atuam separados.
Na prática, a autuação nasce na contabilidade, mas morre no direito.
Sem conhecimento contábil, o advogado não entende a origem do fato gerador.
Sem conhecimento jurídico, o contador não enxerga a tese para anular a cobrança.
Por isso, o novo tributarista é híbrido: domina lei, contabilidade, jurisprudência, planejamento, compliance e estratégia.
Estamos em uma nova era
O fisco usa inteligência artificial.
As empresas precisam usar inteligência jurídica.
Quem continuar tratando tributos apenas como custo inevitável, viverá entre autuação e passivo.
Quem tratar tributos como gestão estratégica, blindará patrimônio, aumentará competitividade e poderá até recuperar valores pagos a maior.
No sistema tributário, ignorância custa caro.
Conhecimento gera lucro.
E é esse conhecimento estratégico — técnico, prático e acessível — que a coluna ALVO NO TRIBUTO vai entregar semanalmente.
Nem toda autuação é legal — e muitas são inconstitucionais
Existem autuações que violam:
- Princípio da legalidade (CF, art. 150, I)
- Tipicidade tributária (art. 97 do CTN)
- Capacidade contributiva
- Proporcionalidade
- Vedação ao confisco
O STF já firmou:
“Multas tributárias superiores a 100% do valor do tributo são inconstitucionais.”
(RE 833.106 – Tema 863 da Repercussão Geral)
Ou seja, autuação com multa de 150% ou 200% pode ser anulada.
O empresário precisa saber: autuação NÃO se paga sem análise
Passos corretos diante da autuação:
- Não pagar de imediato.
- Solicitar análise técnica detalhada.
- Verificar decadência e prescrição.
- Identificar erro de fato ou de direito.
- Apresentar defesa administrativa (DRJ, TIT, CARF).
- Só judicializar quando necessário.
Importante: na esfera administrativa, não há depósito prévio nem custas nas primeiras instâncias. Ou seja, defender-se é mais barato do que pagar.
Por que tantas autuações caem?
Porque o fisco muitas vezes:
- Desconsidera a contabilidade societária (art. 195, CF);
- Aplica entendimentos retroativos;
- Ignora jurisprudência vinculante;
- Interpreta benefícios fiscais de forma restritiva;
- Desconhece decisões do STF/STJ.
Exemplo recente:
CARF – Processo nº 16327.720092/2015-11
Autuação de PIS/COFINS cancelada porque a Receita ignorou decisão do STF sobre conceito de receita.
Exemplo no TIT/SP:
Várias autuações de ICMS anuladas por erro na glosa de crédito com base em julgamento da Súmula 509 do STJ, que define que o crédito é legítimo quando o insumo é essencial.
A melhor defesa começa antes da autuação
Empresas que reduzem o risco de autuações investem em:
- Compliance tributário
- Revisão fiscal preventiva
- Integração jurídico–contábil
- Treinamento de equipe
- Acompanhamento de jurisprudência dos tribunais superiores
Planejar tributos não é drible. É inteligência.
A mensagem final é clara
Ser autuado não significa que a empresa está errada.
Significa que começou uma disputa — e o contribuinte pode vencer.
O verdadeiro erro não é ser autuado.
É não se defender com estratégia.
E a melhor estratégia é contar com um tributarista que fala a língua da contabilidade, entende o negócio do empresário e conhece a jurisprudência que decide o jogo.
Porque, no Brasil, a diferença entre pagar milhões ou pagar zero está na qualidade da defesa.
Coluna “Alvo no Tributo: a análise do Dr. Alberto Oliveira”
Publicação semanal da São Paulo TV Broadcasting – Inteligente, Imparcial e Inovador.
Alberto Oliveira
Advogado/Contador
fundador AOL Advogados Associados
(11)982240840

