
Sua Excelência, o Síndico
*José Renato Nalini
A maior cidade brasileira, São Paulo, produz mais de quinze mil toneladas diárias de resíduo sólido, eufemismo com o qual chamamos hoje o lixo. Dessa imensa quantidade, apenas 3% chegam à reciclagem, porque a população não aprendeu ou não quer separar adequadamente aquilo que desperdiça.
Bastaria destinar o que é orgânico, e portanto apodrece, a um recipiente, destinando ao outro aquilo que não apodrece e pode ser reaproveitado. O ideal seria que soubéssemos consumir menos, desperdiçar menos e separar adequadamente os nossos resíduos.
Mas uma cidade inteiramente edificada e quase totalmente verticalizada, tem a maioria dos seus moradores habitando edifícios. E cada edifício tem um síndico, responsável pela administração interna e autoridade local influente e capaz de ordenar a questão da coleta de resíduos.
Pensando nisso, SECOVI promoveu um ciclo de palestras: “Gestão de Resíduos e Clima – O condomínio como agente de transformação”, para motivar todos os síndicos, para que estes atuem junto aos zeladores, aos demais funcionários dos condomínios, com vistas a melhor adequação desse assunto que custa muito dinheiro à população e pode comprometer a sua qualidade de vida.
Países mais adiantados, como a Suíça, por exemplo, têm um programa sofisticado de destinação, chegando a contar com nove destinos diferentes para os resíduos sólidos. O Brasil ainda está muito atrasado e por isso existem “lixões”, atestado de nossa indigência ética, além de aterros sanitários, que ocupam lugares que melhor seriam ocupados por parques, jardins, florestas, lagos e mereceriam, enfim, uma solução baseada na natureza, em vez de ostentarem camadas e camadas de nosso insano desperdício.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo
