
Justiça dos EUA derruba decreto de Trump que barrava estudantes estrangeiros em Harvard
SÃO PAULO TV INTERNACIONAL | ESPECIAL DOS EUA
Por Redação Internacional | São Paulo, 30 de maio de 2025
Decisão é considerada vitória provisória da universidade na disputa jurídica com o ex-presidente, que buscava restringir a presença internacional em solo americano
Nova York – Em mais um capítulo do tenso embate entre a Universidade de Harvard e o ex-presidente Donald Trump, a juíza federal Allison Burroughs suspendeu temporariamente o decreto presidencial que proibia a admissão de estudantes estrangeiros na mais antiga e prestigiada universidade dos Estados Unidos. A decisão representa um alívio — ainda que provisório — para a instituição e seus cerca de 9 mil estudantes internacionais, que vivem semanas de incerteza, medo e angústia.
A medida judicial é uma resposta direta à estratégia de Trump, que tem adotado políticas de retaliação contra universidades consideradas hostis à sua agenda. Harvard, tradicionalmente liberal e uma potência global no ensino superior, está no centro da ofensiva do ex-presidente, que já havia cortado bilhões de dólares em financiamento à pesquisa científica e suspenso contratos governamentais com a instituição.
“Quero manter o status quo”, afirmou a juíza Burroughs durante a audiência realizada nesta quinta-feira (29). “As pessoas estão aterrorizadas.” Em meio ao clima de tensão, Burroughs criticou o impacto psicológico da medida sobre os estudantes, citando “pânico” generalizado entre estrangeiros que, até então, estavam com matrículas canceladas e vistos ameaçados.
Cerimônia de formatura marcada por protestos e aplausos à Justiça
No mesmo dia da decisão, Harvard realizou sua tradicional cerimônia de formatura no Harvard Yard, em Cambridge, Massachusetts. O evento, que celebrou a conquista da turma de 2025, foi marcado por manifestações contra o governo Trump. Cartazes, discursos emocionados e aplausos espontâneos acompanharam o anúncio da decisão judicial que derrubava, ao menos por ora, o decreto presidencial.
“Membros da turma de 2025, da rua de baixo, de todo o país e do mundo todo, exatamente como deveria ser”, declarou o reitor Alan Garber, ovacionado pelos presentes. “Minha esperança para vocês é que se sintam confortáveis em se sentirem desconfortáveis”, acrescentou, reforçando o valor da diversidade intelectual e cultural que sempre caracterizou Harvard.
Insegurança jurídica e fuga de talentos ameaçam legado centenário
Apesar da vitória judicial, o clima permanece tenso no campus. A diretora de imigração da universidade, Maureen Martin, alertou para os danos colaterais já em curso. “Vários alunos pediram orientação sobre transferências. Há sofrimento emocional, queda de desempenho e efeitos sobre a saúde mental. Muitos pensam em abandonar os EUA definitivamente.”
Martin relatou que consulados estrangeiros entraram em contato com Harvard buscando esclarecimentos sobre o decreto e suas implicações para os estudantes em curso. Ela também apontou um fenômeno preocupante: o redirecionamento de talentos para outras nações. “Universidades como a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão oferecendo apoio e admissão facilitada para estudantes que considerem sair dos EUA.”
Trump versus Harvard: uma batalha com raízes ideológicas e financeiras
O confronto entre o ex-presidente Trump e Harvard vem se desenrolando desde seu primeiro mandato. Além de críticas públicas à universidade, Trump iniciou uma série de retaliações institucionais — da retirada de verbas públicas a restrições na concessão de vistos a professores e pesquisadores estrangeiros.
Analistas apontam que a recente investida contra estudantes estrangeiros visa minar dois pilares centrais da universidade: sua independência financeira e sua influência global. Para especialistas em direito constitucional, o decreto derrubado nesta semana violava princípios básicos de liberdade acadêmica e tratamento igualitário, ao discriminar estudantes com base em sua nacionalidade.
Cenário internacional: universidades se movimentam para atrair alunos ameaçados
A resposta internacional ao caso foi rápida. Instituições da Europa, Ásia e Oceania vêm manifestando interesse em receber estudantes e pesquisadores afetados pelas políticas migratórias dos EUA. A Universidade de Toronto, no Canadá, e universidades da Alemanha, França e Austrália anunciaram medidas emergenciais para facilitar o ingresso de estudantes em situação de vulnerabilidade nos Estados Unidos.
“O que está em jogo aqui não é apenas o destino de Harvard”, resume o cientista político Jonathan Feldman, da Universidade Columbia. “É a liderança dos EUA como destino de excelência educacional e científica. A insistência em medidas como essa pode redefinir o mapa da educação global.”
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